Vida de Quadrinista

ref 15
Quadrinhos, mangá, banda desenhada, HQ…

 

 

Ao redor do planeta existem diversas formas de se nomear as famosas histórias em quadrinhos, temos um certo contato com essas maravilhosas histórias durante nossa infância, quando todos consideram ser algo voltado para crianças.

 

Mas não é bem esta a verdade, histórias em quadrinhos poderiam ser consideradas grandes obras, tais como livros ou best sellers, não é à toa que os quadrinhos são chamados de “a nona arte”, alguns com historias inspiradoras, concretas e surpreendentes que conseguem colocar muitos filmes no chinelo.

 

Entretenimento? Literatura? Arte? Com o tempo você acaba vendo que tudo isso em um único pacote.

 

Por quantas vezes durante sua adolescência você não leu uma HQ, ficou admirado com a arte dela e pensou: “Cara… quero fazer isso da minha vida.”

 

Você então inicia a desenhar algumas coisas, bastante cópias de coisas que já existem, e percebe que fazer este tipo de coisa não é lá tão simples.

 

O primeiro erro de quem quer começar a fazer quadrinhos é achar que tudo é fácil e você vai arrebentar copiando exaustivamente a arte de outra pessoa.

 

ref 88

 

Copiar o desenho de outra pessoa, é uma atividade, legal, ajuda de inicio e desenvolve um pouco seu traço, mas em muitos caso, na verdade praticamente 85% dos casos, a pessoa absorve muito o traço da pessoa que está copiando.

 

Tá, eu sei que “é que a arte desse cara é muito boa, a melhor coisa que eu já vi, nossaaa isso é foda, foi a melhor coisa que eu já li, e aqui você está cometendo outro erro nestas considerações, claro, muitos quadrinhos profissionais possuem ótimas artes e é claro que acabamos nos influenciando por aquele traço que observamos e admiramos cada vez mais, porém… muito daquilo que você gosta em uma HQ, não é exatamente o traço do cidadão que desenha… Você gosta da história, da trama, das revelações das batalhas, e muitas vezes acha que a arte é muito superior, mas não é assim que funciona, e toda a história te capturou, eu mesmo já li histórias de arte fantásticas e péssimas sequencias, desenrolar maçante, clichê e muito, mas muito chato mesmo, mas que acaba atraindo muita atenção apenas pela arte, assim como já vi roteiros fantásticos e de arte mais simples e nem tão trabalhada, onde eu prefiro esta, já que vai me prender completamente e eu entenderei o desenrolar da trama, mesmo com uma arte mais pobre.

 

Uma HQ, é uma obra composta, em muitos casos, com mais de um artista envolvido, onde caso haja uma ótima química em todos os aspectos, a história se tornará épica, nem que seja apenas para você.

 

 

Desta forma, se você está planejando fazer quadrinhos, eu recomendo que comece a se especializar de uma maneira mais concreta.

 

ref 34

 

Vou deixar aqui alguns pontos bons de se observar e que em futuras postagens pretendo abordar mais informações:

 

 

1 – Tenha a mente e o coração abertos para os quadrinhos.   ref 33

 

Não se importe de qual nacionalidade é a história, o aspirante à artista de quadrinhos, deve entender que há sabedoria em todas as obras, nem que seja o que você NãO DEVE FAZER.

Com o aumento de redes sociais e difusão da internet, ficou mais fácil localizar e encontrar diferentes obras dos quadrinhos assim como produzir e publicar de maneira virtual para um maior número de pessoas, entretanto, isto também abriu a porta para uma besta maliciosa e que é muito influenciadora, os formadores de opinião.

 

Entenda, é importante que você não seja uma pessoa com preconceitos se você deseja publicar algo, pois seu público pode ser o mais variado possível, existem infinitas possibilidades de uma boa história, desde que você não tenha preconceitos. Então o primeiro passo é não ficar em “lados”, pois quadrinhos americanos são bons, os japoneses também, europeus, coreanos e até os nacionais, pare de desvalorizar o local onde estamos, temos melhores artistas brasileiros que trabalham pra américa do que você realmente sabe ou conhece, o que falta exatamente é inovação.

 

Então exclua de seu peito os preconceitos raciais, sexuais, morais, enfim, tudo, ou você não conseguirá curtir histórias diferentes, é como se você apenas assistisse os filmes que a critica diz serem campeões de bilheteria, quando existem outros que também são ótimos, como ficar preso apenas À um tipo de história, seja ela de terror, ação ou ficção, é importante você achar em qual ramo você se daria melhor, mas se você não tentar o terror e ficar apenas na ficção científica, como pode saber se não tem uma maravilhosa história ou traço ótimo ai pra outro estilo?

 

 

2 – Não copie

 

 

Você está acostumado à ler determinado tipo de HQ e acha que deve criar algo para derrubar a Marvel e a DC fazendo exatamente o que as duas fazem, criam o mesmo conceito de super-heróis e vilões cósmicos, mutantes, que sofreram algum acidente nuclear ou biológico… enfim… ao invés de copiar isto incessantemente, caso você perceba que não é a sua praia criar algo novo, tente se especializar em desenhar as criações de outros.

 

Ref 47

 

Não, não estou falando para copiar as histórias e traços, acabei de falar pra não fazer isso, rapaz, preste atenção!

 

Caso perceba que você não consegue criar outras coisas, seria o fato então de você se especializar para trabalhar para uma dessas empresas e desenhar seus personagens, criar seus roteiros, trabalhar com personagens já existentes, em suas respectivas empresas. Não se arrisque se for para ficar frustrado, alguns tem maior talento e imaginação para criar algo, outros apenas para produzir o que já existe.

 

 

3 – INOVE, ARRISQUE    ref 21

 

Caso perceba que você quer criar suas HQs, evite usar a fórmula que já está batida de super-heróis, tente inovar, criar algum tipo de personagem ou heróis em um outro âmbito de criação.

 

Um dos pontos fortes do mangá é que ele não é preso à apenas um tipo de segmento, você sabia que no japão existem histórias das mais diferentes, indo de esportes, à terror, ficção científica e até mesmo à fotonovelas em quadrinhos? Sim, no Japão, HQ é um mercado tão amplo e que dá tão certo que existem os mais diversos e incríveis tipos de histórias e situações.

 

Mas existem muitos quadrinhos europeus que saem deste critério também, como é o exemplo de Tin Tin do Herge ou Asterix de René GoscinnyAlbert Uderzo.

 

tin tin

 

 

 

 

Asterix

 

4 – Seja persistente

 

Quadrinhos é uma das coisas mais difíceis de serem alavancados e ter algum retorno financeiro em nosso país, principalmente, pela pouca prática do público de querer conhecer coisas novas, e sempre estar atrás de material já consagrado e que tem muito tempo de estrada, como as gigantes Marvel e Dc, mas não quer dizer que não virão a conhecer.

 

Será difícil no início, mas não desista de fazer seus quadrinhos, não deixe de terminar seus projetos, de tentar que leiam suas histórias.

 

A internet está cheia de projetos que começaram e não tiveram um fim por causa de autores que preferem ignorar uma obra por se cansarem dela ou por terem uma ideia que consideram melhor.

Termine os seus projetos, dê um fim a todas as histórias que um dia você começou.

Tem poucas pessoas lendo?

Ninguém está lendo?

Não importa.

Conclua a sua história em quadrinhos para mostrar para você mesmo e para os leitores que chegarão no futuro que você está compromissado a cumprir a sua promessa.

Por isso, faça histórias curtas e fechadas.

Cedo ou tarde você irá se cansar e abandonará mais um projeto que ficará no grande limbo de histórias sem fim que existe no mercado de quadrinhos nacionais.

 

Um lance importante aqui é você se lembrar que Walt Disney tentou bastante, assim como Maurício de Sousa, mesmo havendo rejeições, eles acreditavam naquilo que tinham, acredite você também em seu potencial.

 

Espero dar continuidade à este tipo de postagem, e espero que continuem lendo, pois quero abordar outras informações e situações, então… até a próxima!